quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Voyage - Vol 2.

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[ All the fear has left me now./ I'm not frightened anymore;/ It's my heart that pounds beneath my flesh./ It's my mouth that pushes out this breath./ And if I shed a tear, I won't cage it,/ I won't fear love and if I feel a rage, / I won't deny it, I won't fear love. ] * [ Sarah McLachlan ]


Apenas um segundo: eis que o céu se abre e se fecha,
O então-proclamado salvador, o que preenche meu coração,
Ele me chama. Estou indo, amor.
Estou indo. Estou indo em direção ao êxtase.

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Por Raphaël Crone.

Acordando.

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[ People ask if I'm in love with you,/ Because I'm sitting here with your picture / And smiling to myself (I smile)./ I'm kinda lost in my own thoughts of you,/ My heart speaks before, my mind thinks through / And I blush as I say "yes". ] * [ Christina Aguilera ]




Acordei sorrindo, ao som da sua voz, telefone tocando.
10h31. Eu, sonolento, o coração palpitando
(Sim, ele sempre palpita quando fala com você),
E de um orelhão distante, você tocou-me uma vez mais.
Um sorriso que não desapareceu durante todo o restante do dia.

[ As pessoas perguntam se eu estou apaixonado por você,
Porque eu fico aqui sentado com a sua foto e sorrindo sozinho (eu sorrio).
Eu estou perdido em meus próprios pensamentos,
Meu coração fala antes que eu pense
e eu fico vermelho enquanto digo "sim".
]

Sim, eu estou realmente gostando de você, Baby T.



[ NOTA: ] *O trecho em itálico vermelho pertence à canção Lovin' Me 4 Me, de Christina Aguilera, Scott Storch e Matt Morris (versão adaptada).

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Por Raphaël Crone.

Bicho.

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A Bicho chegou em casa há uns três meses atrás,
Magrela e desengonçada, com cara de suja e doente.
Depois, descobri que ela não estava doente, mas com fome.
Nada que um banho forçado e um pouco de comida não resolvesse.
Ela é uma boa companhia, gata de rua,
Gosta de passear, sempre volta depois.
Silenciosa e terna, como toda gata de rua sabe ser.

Num desses passeios a Bicho voltou para casa prenha.
Logo desconfiei, por causa das glândulas mamárias hipertrofiadas,
Não quis muito acreditar. Bobagem!
A minha avó já havia sentenciado:
"Não quero uma gata, se ela pegar barriga, vai para a rua!"
Não que a minha avó seja a pior pessoa do mundo,
Estamos mudando de cidade, uma ninhada de gatinhos não é uma bagagem viável.

Agora a Bicho está barriguda, parece que engoliu um mamão.
Anda com as pernas abertas e tem dificuldade em comer como antes.
De vez em quando, começa a miar para o nada, agoniada
E aí eu acho que ela vai entrar em trabalho de parto. Mas não.
Está proibida de entrar em casa, porque por mais de uma vez ela já tentou se aninhar embaixo das camas.
Ela vai ser levada por uma senhora estranha, para morar em um sítio,
Vai ter seus gatinhos e cuidar deles por lá.

Vou sentir saudades da Bicho. Ela me fazia companhia.
Ela também era, indubitavelmente, uma boa parte do meu coraçãozinho juvenil.

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Por Raphaël Crone.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como Ama Um Menino.

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• Tenho escrito muitos poemas de amor, que interessante,
Eu, que a cada dia percebo que tão pouco sobre ele entendo.
Eu, que a cada dia dou adeus a uma quimera
E eu, que a cada hora desfio um rosário de desejos incolores. Inodoros.
• Assombro: você aparece no canto da porta, de repente: eis o que torna tudo diferente.
O entendimento que me vem, de que homem nenhum pode ser suficientemente solitário.
A sua imagem na porta: eis o que muda tudo para mim.
O tom carinhoso de sua voz ao telefone, miles away
• O suporte e o sentimento. O feeling confortador.
O abraçar de cada fibra do meu coração por seus braços completos.
As gotas de ternura que só você sabe espremer, o meu vinho que lhe dou de beber.
A ternura que apenas você me faz exprimir tão bem, deliberada homenagem ao você que mora em mim.
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• Você me faz perder o medo de ser ridículo,
Me faz deitar em seu peito e dormir como uma criança.

Você me cuida e me vigia, me segura quando penso que não há mas ninguém,

Você me ampara e me alimenta.

Você se peocupa se tenho fome ou frio e se eu não consigo dormir, você me abraça e me faz sossegar.

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• Não há nada de especial em você, você é humano,
Mas insubstituívelmente necessário à minha existência fulgás.
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Você me observa pensativo, quando sento fora da casa e começo a fumar, silencioso
E eu não posso deixar de amá-lo quando vejo o seu sorriso preocupado e enternecedor,
Que dissipa e afasta a aflição, que livra-me do mal, como a oração.

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• Sou o menino da calça rasgada, com as pernas à mostra,
O rebelde sem causa e a tempestade da tarde, que você acalma com um beijo.
Você me faz escrever poemas de amor,
Não por mera pieguice, meros devaneios,
• Mas por que é através destas linhas tortas que eu posso expressar as mais profundas verdades que habitam dentro de mim.
O que as minhas palavras não podem formatar,
O que minha voz embargada não ousa proferir,
O que meus olhos tão claramente dizem sem som algum,
Eis o que estas tão-ditas linhas tortas dizem a você.
• Elas sintetizam o texto que meu coração redige dia-a-dia,
O que eu canto minuto-a-minuto,
Elas espantam o medo e me preparam o caminho, elas me levam até você.
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Eu me sinto belo quando olho para você.
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• Você é o espelho do meu incontido desejo de viver.
Eu me ajoelho e beijo suas mãos, cavalheiro.
Eu lhe beijo com lábios e ardoroso coração de menino,
Que não conhece a corrupção e que não anela nenhum outro mais.
Eu lhe beijo com a entrega do mais precioso tesouro que eu guardo,
• Eu lhe beijo com minh'alma e meu corpo,
Eu lhe entrego olhos e lábios, mãos e cintura.
Eu lhe presenteio com o que há em mim de melhor,
Eu lhe espero nesta distante praia, eu lhe visitarei no fim do mundo,
Eu cruzarei as imensidades e seremos um como sempre fomos,
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• Eu lhe trarei flores e cozinharei para você.
Em minhas mãos estendidas, eu lhe entregarei o meu dom mais precioso,
Eu lhe darei a certeza de eterna companhia,
Eu lhe darei mel para corrigir a amargura da vida,
Eu lhe darei uma mão para segurar quando a noite for longa e fria,
• Eu lhe darei esperança, a mesma que me vem de você,
Devolverei-a, sim, a você.

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Eu serei um com você até que a eternidade passe, por um simples motivo:
Você me é suficiente e nenhum outro há para mim fora de você.
Até que os céus deixem de repousar sobre nós,
• Estaremos lá. Até que a última chama termine de arder,
Estaremos lá. Até que a última quimera morra,
Sim, acredite, estaremos ainda lá.
Até que repousemos da labuta, meu coraçãozinho,
• Acredite, ainda estarei lá com você,
Você comigo, e no fim de tudo, haverá apenas, acredite, uma grande luz,
Você, eu e o que pode ser deus: um grande, absoluto e indizível AMOR .

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Por Raphaël Crone.

O Preço da Poesia.

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[ Deixa eu dizer que te amo,/ Deixa eu pensar em você./ Isso m acalma, me acolhe a alma,/ Isso me ajuda a viver. ] * [ Marisa Monte & Arnaldo Antunes ]



Às vezes eu preciso tirar os meus dois pés do chão,
Eu preciso voar por um minuto.
Isso me ajuda a viver. A Marisa disse que acalma a alma.
É tão duro estar sempre aqui nesta realidade fria,
Cheia de incertas certezas!
Eu gostaria apenas de facilitar, de cantar uma canção campesina,
Uma melodia simples, sem rebuscamentos,
Apenas uns versinhos românticos,
Que acalmassem a minha alma realmente, poeta que sou.
Menino que sou, romântico e sentimental,
Oculto atrás de uma couraça de gente forte,
Mas frágil, que se magoa facilmente
E que chora sozinho trancado no quarto para continuar a ser gente forte,
Para não esmorecer.
Uma melodia sentimental, um abraço sentimental,
Uma palavra sentimental,
Que alimente meus sentimentos,
Era tudo o que pedia. Não recebi e me acostumei a não pedir mais.
Adeus, outro pedaço. Adeus, alma-de-menino,
Que insiste em se magoar e partir,
Mas que jamais morre. Um ser insensato.
Quem dá ouvidos à sensatez?
Neste momento sou apenas um desprotegido animalzinho sentimental,
Este é apenas um momento desconsolado que vai passar.
Vai passar quando você me abraçar novamente,
Quando você disser que tudo está bem.
Momentos sentimentais, eles me afetam realmente...
Deve ser por isso que tão poeta eu sou.
Um preço alto. Um motivo justo. Um desejo incontido,
Fremente. Um eu como ninguém mais pode ser

[ E uma amável cruz que a ninguém mais cabe carregar. ]

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Por Raphaël Crone .

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Insurreição.

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Esta teimosia, uma penumbra em que vago, uma insurreição.
Esta desconfiança, esta agonia que me vem quando não me vem sua voz.
Esta resignação em ceder-me, esta vontade inóspita.
O consolo de suas mãos e a falta que elas me fazem.
O seu silêncio, a minha sina, o sofrimento animal.
Minha deliberação: ceder-me, doar-me, oferecer-me a você,
Por um milhão de vezes e por um milhão de maneiras
Ceder-me, doar-me, oferecer-me a você.
Cito Drummond e ele me cita em alma:

[ Que pode uma criatura senão, senão entre criaturas, amar? Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? Sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? Amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. ]

Realmente e de repente, amor.
Drummond me entenderia e eu o entendo.
Uma pergunta cuja resposta é dada em pílulas,
Uma doação integral e um pagamento em prestações.
Uma eterna e bem-aventurada dúvida infundada.
Que hei de fazer eu, pobre menino?
Amar, como amo. Fundamento necessário, embora perigoso.
Atiro-me assim mesmo neste salto impensado e amo.
Amo como Guimarães me aconselhou certa vez,
E como aconselho a você, leitor:

[ É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado. ]

Este pois é o fundamento. Perigoso, mas necessário.
Esta é a luz do sol que enche o meu bolso.
Esta é a que todos chamam esperança do amanhã.
Este é o que todos perseguem, mas temem mortalmente encontrar.
O salto para o desconhecido, onde uma vontade parte-se em duas, interdependentes.
Este espezinhamento do eu-unitário e esta entrega.
Esta resignação, maravilhosa jornada.
Esta minha doce fuga em direção a você,
Meu outro eu, minha outra parte, interdependente,
Coração meu, maravilhoso sorriso meu. Meu você.

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Por Raphaël Crone.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Que é Redenção.

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[ Por que és assim tão escura, assim tão triste?!/ É que, talvez, ó Noite, em ti existe/ Uma Saudade igual à que eu contenho!/ Saudade que eu sei donde me vem.../ Talvez de ti, ó Noite!... / Ou de ninguém!.../ Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho! ] * [Florbela Espanca ]


Ele me fez esquecer o passado, retumbantemente.
Lavou minhas vestes escuras e tornou-as alvas.
Tornou alvo meu coração triste.
Libertou-me e fez-me acreditar uma vez mais.
Ele fez-me dependente do som de sua voz
E deu-me um milhão de motivos para acreditar novamente.
Um sentimento profundamente sentimental,
Coberto de racionalidades e cuidados,
Uma estrela em ascenção. O desejo de ser melhor que sou.
Quem sabe seja isso o que chamam de redenção.
Os versos que traduzem o que vai dentro de mim.
A confiança, a cumplicidade, nossa intimidade linda.
O meu alter-ego em alter-forma,
Minha escolha, deliberada entrega.
O sorriso diante da face da vida. O acreditar.
A profunda gratidão. A luz interior.
A chama que ele acendeu e que ninguém apaga.
O meu brilho, que ele divide comigo.
A impressionante verdade que encontrou dentro de mim.

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Por Raphaël Crone.