quarta-feira, 9 de março de 2016

Rendição



3 da madrugada, hora morta. A hora morta.
Eu, sentado no quarto escuro; a gata silenciosa, sentada no parapeito da janela.
Fumaça de cigarros rodopiando pelo ar dormente, em minha mente um "não" ressoa:
Uma palavra de violência, um grito de guerra que despedaça todos os armistícios previamente planejados.
Pensar no sentimento que eu lhe tinha é pele derretendo sobre carne, é carne se rompendo sobre ossos, são ossos secos estalando sob pés descalços.
Notre grand amour est mort.

Um jogo perverso de se esconder, um homem que caminha pelos labirintos da casa - oculto.
Aparas de unhas, fios de cabelo pelo caminho. Eu me escondendo, não de você,
De mim mesmo. Gotas vermelhas, de vinho ou de sangue, que diferença? Ya me da igual... 
Só sabe de amores quem sabe o que é martírio, só sabe de amores quem entende a diferença entre vírgulas e ponto-e-vírgulas.
Pensar em você é um mundo em chamas. Pensar em você é como aquele som de cello, dramático, irresoluto: um lamento que corta o ar e, repentinamente, adormece...

Como os parágrafos deste poema pagão. Exaustos, reticentes, como que morrendo;
Ao se encurtarem, sangram e são podados e desmaiam... E sobram os "es".

(Suspiro, arquejo. 
Et voilà).
...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Blues Natural



Algo me despertou naquele sonho luminoso.
Deitado naquele barquinho, sob o Sol da Tailândia, chapéu sobre meu rosto,
Batidas e ecos de uma canção quente e centrífuga, que me puxava para dentro de si.
Me ergui e sentei, todo aquele vasto oceano azul ao meu redor,
Sem remos, sem preocupações, sem nada que me atraísse à terra;
Montanhas ao redor daquela praia secreta, daquele jardim secreto,
Daquelas palmeiras, que pareciam dedos esticados para tocar não sei que tipo de delícia celeste.

O céu era tão azul que até fazia meu peito doer.
Nada era escuro ou cinzento ali: tudo era radiante,
Tudo vibrava, nada era estático, nada era inerte. Sobre minha cabeça, voavam as gaivotas,
Sob o casco do barco, nadavam peixes grandes e pequenos:
Tinha um aquário particular debaixo de mim, sobre o qual eu boiava despreocupadamente.
Eu era mero homem natural ali: roupas simples, bermuda desfiada, regata branca amarrotada,
Pés descalços: um blues natural, porém sem melancolia. Espirituoso e frenético.

Debrucei-me sobre a borda do barquinho e mirei o oceano abaixo.
Ele se estendia até onde meus olhos podiam ir e, certamente, muito mais além,
Como massa escura e misteriosa. Ora, passava um peixinho gracioso por baixo de mim,
Ora um tubarão, maior do que a própria estrutura da embarcação, mas eu não tinha medo.
Não existia medo naquele blues onírico e natural, naquela batida constante.
Eu poderia me levantar e dançar, mover meu corpo - poético e lânguido -
Eu poderia atirar-me à água e ser um só movimento com as ondas, tão despretensiosas...

Em minha cabeça, tambores ressoavam uma melodia flamejante.
Fogo saía de cada nota, de cada emissão daquela percussão vivaz e quebrante.
E, ao mesmo tempo, em que estava sentado naquela barcarola, tal qual conto de Hoffmann,
Eu flutuava sobre aquela cena paradisíaca, para fora do tecido espaço-tempo,
Sobre as ondas gravitacionais, eu era matéria fluída, eu era onda, eu era raio, eu era luz.
Eu era estática de televisão, eu era chiado de rádio, eu era insensatez e imprudência.
A chama de uma vela que dançava ao sabor do vento, arriscando ser apagada.

Sentia que podia recomeçar indefinidamente, que podia dilatar-me e contrair-me.
Força da natureza, pronta para explodir para além dos limites das pontas dos meus dedos.
Naquela praia secreta, eu era o dia e eu era a noite. A costa não me atraía,
Eu era um com o mar e ele me chamava. O Sol já não ia alto, logo seria noite.
Minha pele já conhecia o toque cálido do dia, meus pulmões já conheciam a suavidade do ar,
Levantei-me e estiquei os braços, como se eles fossem capazes de dar a volta ao redor das montanhas
E voltar para mim. Olhei para baixo, para o mar que escurecia ainda mais e mergulhei.

Eu ainda seria o dia e a noite. O céu e o mar. Eu, elemento metafísico. Eu, elemento natural.
Eu, blues físico: músculos e matéria palpável. Eu, etéreo e final. Profusão de tons e semitons. Sempre um blues natural e todo o mais além...


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Memória Triste de Amores de Uma Noite



Quando os primeiros raios de Sol entram pelas frestas das persianas nesta manhã de inverno, me encontram desperto.
Encontram meus olhos e meus braços abertos, alguém que, nem por um minuto, dormiu.
O escuro que habita meus olhos miram o teto, catatônico, enregelado, cheio de misterioso palor,
O escuro que habita minhas mãos pende pelas bordas da cama, frouxo e vazio.
Ao canto do quarto, um rádio toca batidas tristes de trip-hop, baixinho, quase como um lamento mudo. Batidas essas, outrora, quentes, lânguidas, flamejantes. Hoje, apenas fantasmas do que poderiam ter sido e foram por uma brevidade de tempo.
Deitado nesta cama feita de lençóis desfeitos, eu olho para o guarda-roupas. Aquela velha caixa de madeira triste e carcomida guarda lembranças de quem eu fui.
Dentro dele, pedaços da minha alma, retalhos da minha resiliente juventude estão dependurados pelo pescoço, qual Judas dependurou-se naquela árvore tristonha.

Aqui deitado, solitário e passivo, eu me lembro de fantasmas; histórias assombrosas das madrugadas passadas.
Histórias de dedos entrelaçados, de palavras fáceis nos lábios, de arquejos e sobressaltos, de noites insones e brancas. Histórias do ardor das madrugadas.
Naquele tempo, tudo o que me importava era possuir sem ser possuído. Era reter, sem que, verdadeiramente, doasse algo. Era encantar, sem ser vítima do encantamento.
Por anos e anos, eu deixei um pedaço do meu espírito em leitos desalinhados. Por muitas horas e de muitas maneiras, eu festejei com as migalhas jogadas, sem verdadeiramente disso me dar conta.
Em cada lábio, uma promessa de eternidade buscada, ainda que uma eternidade medida, ainda que uma eternidade que coubesse nas palmas das minhas mãos.
Ainda que uma eternidade que me escorresse por entre os dedos.

Depois, apenas o esquecimento: a ignorância dos sentidos. Nenhum paraíso duradouro, nenhum lenitivo permanente, apenas memórias despedaçadas.
Tudo o que entreguei e foi-me entregue consumido pelas cinzas das horas.
Depois que os incêndios eram apagados, apenas formalidades. Apenas negação. Apenas desprezo. Por muitas horas, eu teria tentado espremer amor de mim mesmo, mas não havia força. Não havia chama, nem prelúdio de eternidade. Não havia mais fogo para queimar.
Havia frio, havia aquele líquido gélido que percorria as minhas veias e a ele eu me apeguei, como vida, como movimento que ainda havia cá dentro do meu corpo.
Havia febre, mas que não queimava; havia suor, mas que não me banhava. Apenas gelo, que derretia diante da iminente chegada do amanhecer.

Depois de tantos anos entregue, eis que minhas mãos permanecem vazias. Eis que eu me deparei com uma praia deserta e inóspita, habitada apenas pelos fantasmas que, quando criança, me sussurravam:
"A solidão é a sina final de todo homem, meu pequeno..."
Depois de tantos beijos, de tantos arquejos, de tantos desejos - vermelhos e pulsantes -, eis que, finalmente, eu não sou mais que gelo.
Uma borboleta negra e cinza, cujas cores se consumiram sob o dia que arde e urge e que não é capaz de enfeitar mais nenhum jardim.
Mera lembrança esmaecida em memórias torpes e ocupadas em se dar mais prazer. Mera sombra errante, presa neste quarto silencioso e melancólico.
Não sou Lázaro, não sairei mais desta cova viva. Não vejo hipótese de real amanhecer, além daquele Sol indiferente, que se levanta do oriente. Não sou herói e não sou esperado.
Sou a sombra do desejo que se apaga, sou a pálida impressão de dedos unidos e que se separam.

Sou o evanescente espírito do querer demais, sou o fruto do encantamento do amor ébrio, das noites faceiras e das alcovas ardentes.
Sou a devoção passageira e incapaz de resistir. Uma casa em chamas, cujo fogo começa a se tornar em cinzas e vestígios de destruição e luzes ofuscadas, ainda que queira continuar queimando indefinidamente.
Ninguém há que me contemple agora que não sou mais que fumaças de cigarros que se dissipam ao vento. Não sou mais que espectro byroniano, cheio de spleen, vinho e amargores,
Mais que saudade difusa e que nem consegue remendar-se a si mesma. Eufêmica. Redundante. Paradoxal.
Eu sou as garrafas entornadas pelo chão do quarto, eu sou as lágrimas vertidas deitado no chão da cozinha, eu sou um permanente estado de liquefação,
Onde me desfaço, sem novamente me reconstruir. Daí, para evaporação e para ar...
Eis o que me tornarei: vapor e matéria etérea. Celofane, translúcido e desnecessário.


O fantasma de um homem. O espírito vivo e sem notícias da morte. A sombra de tantos vocês que se tornaram um eu roto e despedaçado, afinal.

domingo, 19 de abril de 2015

Ces Yeux Verts



Deux heures du matin. Je suis rentré à moitié ivre après deux doses de vodka et je ne sais même pas combien de bouteilles de bière. Tout flashé devant mes yeux étaient l'étincelle de ses yeux verts. La forme, contour, pas: toutes les nuances qui semblent réverbéré devant mes yeux sombres et brumeux, et là, assis dans mon vieux divan brun, je ai décidé de chanter dans la poésie. Ouverture de la porte de mon appartement, Meg Myers a chanté le désir de répéter et au son de ces guitares et sombres ces beats langoureux, je me mets à écrire ces versets: ces yeux verts, profondes, vives, pleines de sens et de signification remplis avec de la lumière ma nuit ivre. Au son de synthétiseurs et de guitares électriques, je verse mon enchantement au sein de la liquidité de ces yeux. Verser l'impression profonde ce moment impressionnante, versez la faim qui me dévore, je verse, coulant comme des diamants liquides. Avant ces yeux verts et brûlantes, dis-je, je vois qu'il ya une mer profond secret en moi et il approfondit seulement: je coule comme des diamants liquides encore plus.




domingo, 12 de abril de 2015

Comment Étrangler Un Sentiment



Quand la nuit tombe et je suis seul, il ya une seule question dans mon esprit: comment étrangler un sentiment? Ai avec mes propres mains, je pouvais prendre son air, ou par le biais et la volonté suprême? La façon dont ce sentiment est à échéance ne est pas clair pour moi, cependant, est assez nébuleuse, mais qu'il doit mourir, ce est sûr. Depuis qu'il est arrivé, souriant, et se blottit dans ma poitrine mes nuits ont été un cauchemar. Le sommeil me échappe et tous mes sourires sont tristes et caché. Une douleur aiguë perce mon cœur quand je vois que vous n'êtes jamais disponible et ce sera peut-être notre dernière conversation. Que jamais je suis à sa recherche. Que, malgré tout ce que je ai: la beauté, l'intelligence, le talent, la grâce - mes mains sont toujours vides devant ses yeux bridés. Nuit et jour après jour, je pense que ce qu'il faut faire pour attirer votre attention, plein d'espoir, voyant que vous ne me voyez pas, que je suis encore translucide cellophane, je désespère. Je voulais juste de se allonger à côté de lui dans le matelas étroit, pencher la tête sur sa poitrine et rêve, comme il ya un mois. Mais vous me éviter. Et je me interroge sur l'incontestable: pourquoi me aimes-tu pas? Tout ce que je voulais, ce était d'être assis dans cette chaise dans sa cuisine, regarder la grâce avec laquelle vous faites cuire et de lui donner un baiser au revoir - pas un adieu - le matin avant de partir pour le travail. Mais rien de tout cela est possible parce que vous ne voulez plus de moi et je ai voulu très difficile pour le temps trop éphémères. Je suis donc ici, d'insomnie, écrit ces tristes versets comme un moyen de vider mon esprit. Et la pensée: comment étrangler ce sentiment, qui se est révélée si résistant? Qui a fait tant de mal? Je espère haletant pour le jour où ne hésitent plus à sonner de son nom. Je espère que ce jour viendra bientôt. Jusque-là, je vais continuer à vous regarder de loin et vous aimer silencieuse, triste et déchirés; là, juste errer sur la terre que l'ombre de ce qui était Raphaël.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Il Embrassa Mon Tatouage



Allongé sur ce tapis de salon, il se pencha et embrassa le tatouage sur mon bras. Avec les yeux fixés sur mes yeux, ses lèvres rouges courbes et religieusement touché le manteau de la conception de bras. Fermé, puis les yeux là-bas et à gauche un baiser chaste et, en même temps, brûlant et immémoriale. Pour ma part, je fermais les yeux dans un moment de joie suprême, comme si ce était la plus noble amour et la longévité qui pourrait recevoir. Quelque chose sous ma peau réveillé en lui le désir de me vénérer. Je ai été béatifié, bien qu'il a été parmi ses bras chauds, je ai senti purifié et niché sous les ailes invisibles et capable d'impliquer l'ensemble de moi. Ses cheveux blonds renversé sur la conception, ses yeux bruns profonds regardaient, parfois mes yeux, maintenant le vide infini. Ce baiser n'a pas duré plus de quelques instants, mais produit en moi un effet bizarre, fondre mon cœur déjà ramolli, qui se est déroulée à travers mes doigts, lente comme le miel. Il embrassa ce tatouage avec ces lèvres rouges et je l'aimais pour une minute. Aujourd'hui ce que je ressens est manquant.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Petits Tremblements de Terre



Vous êtes toujours celui qui peut démarrer larmes. Des larmes de joie, des larmes de tristesse, des larmes de remords. Le contact de vos mains sont toujours ma plus grande consolation et mon dernier souhait, quand toutes les autres lumières se éteignent. Vous êtes toujours la lune qui brille sur ma nuit noire, est toujours le soleil me réchauffe dans les jours froids et désolées. Après six ans, vous êtes qui je pleure encore comme un enfant, quand je me rappelle tout ce que vous voulez dire à moi, comme je ai pleuré avec nostalgie comme il mangeait que McDonald's dans la voiture, sachant que ce serait semaines sans vous voyez, exactement six ans sur le dos. Lorsque toutes les certitudes ont disparu, vous êtes celui qui peut provoquer de petits séismes à l'intérieur de moi, me faire réaliser que mon refuge est dans ses bras et les bras de quelqu'un d'autre. Ce est pour toi mon cœur saigne. Ce est pour toi mon coeur balance. Ce est pour toi mon cœur revient toujours. Ses grands yeux bruns, si pleins de sympathie et d'intérêt, sont comme une cascade rafraîchissante, laver la poussière de la route. La façon dont vous me cacher sous les couvertures me faire rire, même quand je ne ai aucun désir pour elle. Pensez à toute notre histoire me rend heureux, parce que, pour des années, je ne ai pas connu ce qu'est la véritable solitude. Vous me aider, me donner le soutien, me tenir la nuit, prend soin de moi quand je suis malade, dis que tu me aimes et me manquer. Rares sont tellement chanceux d'avoir quelqu'un comme vous. Quand tout est sombre, penser à vous, ce est que les petits tremblements de terre, qui sont les ombres qui tombaient sur mes épaules dissipent. Vous songez à vous me assurer que si je mourais aujourd'hui, je ne aurais pas vécu en vain. Comment puis-je ne pas l'aimer en retour?