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Tem uma hora em que você se cansa de insistir.
Se o redondo deveria ser quadrado e não deixa de ser redondo,
A força certamente não há de ser útil para enquadrá-lo.
Palavras repetidas tornam-se mortalmente enfadonhas,
Profundamente dolorosas, como lacerações de espadachim.
O tempo, que é senhor das coisas do homem e de deus,
(Que não mata o Verbo e que aprimora o verbo)
Encarrega-se de aclarar os erros
E coroar com a razão os justos.
A paciência nunca deixa de ser virtude sábia, pois.
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Por Raphaël Crone.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
Amor, Que Não é Mera Palavra
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Desempregado, cansado,
Suado, sujo, um dia inteiro na rua esperando o tempo passar,
Sem poder voltar logo pra casa,
Doente, com febre e tossindo muito.
Exausto.
Foi assim que eu cheguei na sua casa no fim da tarde.
Você me levou para tomar um banho, me emprestou roupas limpas.
Trouxe um comprimido contra a febre e mel contra a tosse.
Eu me deitei ao seu lado naquela cama apertada,
Você me abraçou e me beijou carinhosamente.
Eu adormeci em seus braços.
Horas depois não tossia mais e já estava melhor.
Acima de tudo, tinha a minha saudade saciada.
Eu lhe adoro, meu amor.
Você cuida de mim a cada dia,
Você, meu remédio e meu alento,
A melhor parte de mim que se transforma em poesia por minhas mãos.
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Por Raphaël Crone.
Desempregado, cansado,
Suado, sujo, um dia inteiro na rua esperando o tempo passar,
Sem poder voltar logo pra casa,
Doente, com febre e tossindo muito.
Exausto.
Foi assim que eu cheguei na sua casa no fim da tarde.
Você me levou para tomar um banho, me emprestou roupas limpas.
Trouxe um comprimido contra a febre e mel contra a tosse.
Eu me deitei ao seu lado naquela cama apertada,
Você me abraçou e me beijou carinhosamente.
Eu adormeci em seus braços.
Horas depois não tossia mais e já estava melhor.
Acima de tudo, tinha a minha saudade saciada.
Eu lhe adoro, meu amor.
Você cuida de mim a cada dia,
Você, meu remédio e meu alento,
A melhor parte de mim que se transforma em poesia por minhas mãos.
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Por Raphaël Crone.
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Reinos Abissais.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Uma Rendição
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[ A ponta dos seus dedos pela minha pele,/ As palmeiras balançando ao vento,/ Imagens./ Você me cantava músicas de ninar espanholas,/ A mais doce tristeza em seus olhos,/ Truque inteligente./ Eu nunca quero te ver infeliz,/ Eu pensava que você quisesse o mesmo pra mim./ Adeus, meu quase amante,/ Adeus, meu sonho sem esperança./ Estou tentando não pensar em você./ Você não pode apenas me deixar?/ Adeus, meu romance sem sorte,/ Virei minhas costas pra você./ Eu devia ter sabido que você me traria dor,/ Quase amantes sempre trazem. ] * [ A Fine Frenzy ]
Eu estou partindo neste momento,
O meio-dia é morto.
Eu estou mudando o meu modo de enfrentar a vida.
Por você, amor.
Eu estou deixando de justificar os meus erros,
Estou aceitando as suas justas reprimendas por meu comportamento injusto
E estou abandonando a minha ira descabida.
Estou soltando das mãos de um ciúme intolerante
E resignando-me a pensar antes de dizer palavra
Ao invés de sentir antes de proferir palavra.
Estou reformulando-me. Por você.
Porque você não é o meu quase amante.
Você é o meu coração e o meu sorriso.
Eu poderia distarciar-lhe se assim não fizesse
Quando, realmente, tudo o que eu mais quero é segurar-lhe firmemente em meus braços.
Eu aceito o seu amor e baixo as minhas reservas.
Eu pisoteio a minha efêmera e brutal humanidade,
A violência impressa em minha raiva e em minha angústia.
Deixo de vitimizar-me e de espezinhar-lhe.
Eu me desculpo, amor, porque você é o romance que a vida me mandou.
Um por eternidade. Você, o meu romance de eternidade.
Dou adeus a um eu incoerente para não dizer adeus a você,
Por muito lhe amar,
Por você ser apenas e simplesmente o meu coração,
Sem o qual, piegas que sou, jamais poderia voltar a viver.
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Por Raphaël Crone.
[ A ponta dos seus dedos pela minha pele,/ As palmeiras balançando ao vento,/ Imagens./ Você me cantava músicas de ninar espanholas,/ A mais doce tristeza em seus olhos,/ Truque inteligente./ Eu nunca quero te ver infeliz,/ Eu pensava que você quisesse o mesmo pra mim./ Adeus, meu quase amante,/ Adeus, meu sonho sem esperança./ Estou tentando não pensar em você./ Você não pode apenas me deixar?/ Adeus, meu romance sem sorte,/ Virei minhas costas pra você./ Eu devia ter sabido que você me traria dor,/ Quase amantes sempre trazem. ] * [ A Fine Frenzy ]
Eu estou partindo neste momento,
O meio-dia é morto.
Eu estou mudando o meu modo de enfrentar a vida.
Por você, amor.
Eu estou deixando de justificar os meus erros,
Estou aceitando as suas justas reprimendas por meu comportamento injusto
E estou abandonando a minha ira descabida.
Estou soltando das mãos de um ciúme intolerante
E resignando-me a pensar antes de dizer palavra
Ao invés de sentir antes de proferir palavra.
Estou reformulando-me. Por você.
Porque você não é o meu quase amante.
Você é o meu coração e o meu sorriso.
Eu poderia distarciar-lhe se assim não fizesse
Quando, realmente, tudo o que eu mais quero é segurar-lhe firmemente em meus braços.
Eu aceito o seu amor e baixo as minhas reservas.
Eu pisoteio a minha efêmera e brutal humanidade,
A violência impressa em minha raiva e em minha angústia.
Deixo de vitimizar-me e de espezinhar-lhe.
Eu me desculpo, amor, porque você é o romance que a vida me mandou.
Um por eternidade. Você, o meu romance de eternidade.
Dou adeus a um eu incoerente para não dizer adeus a você,
Por muito lhe amar,
Por você ser apenas e simplesmente o meu coração,
Sem o qual, piegas que sou, jamais poderia voltar a viver.
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Por Raphaël Crone.
domingo, 12 de abril de 2009
O Rasgo
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O rasgo acontece por que tem que acontecer:
Coesão inadequada e inadvertidamente ineficaz dos tecidos,
Pano de remendos.
Um fio que de tênue deixa de ser fio para ser fiapo,
Menos fio que um simples fio de cabelo,
Que é tudo menos simples, visto que é vivo.
Sentimentos são feitos de pano, eu penso.
Se rasgam e se costuram, remendos indissolúveis.
Sentimentalidades remendadas.
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Por Raphaël Crone.
O rasgo acontece por que tem que acontecer:
Coesão inadequada e inadvertidamente ineficaz dos tecidos,
Pano de remendos.
Um fio que de tênue deixa de ser fio para ser fiapo,
Menos fio que um simples fio de cabelo,
Que é tudo menos simples, visto que é vivo.
Sentimentos são feitos de pano, eu penso.
Se rasgam e se costuram, remendos indissolúveis.
Sentimentalidades remendadas.
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Por Raphaël Crone.
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Noturno.
quinta-feira, 19 de março de 2009
De Noites
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[ São tempos difíceis para os sonhadores. ] * [ Jean-Pierre Jeunet ]
Hoje queria morrer, nem que não fosse de verdade.
Queria me esquecer do mundo e me lembrar um pouco de mim,
Do menino que fui e do homem que sou.
Queria me perder em meio a mim mesmo.
Uma confissão indecente.
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Por Raphaël Crone.
[ São tempos difíceis para os sonhadores. ] * [ Jean-Pierre Jeunet ]
Hoje queria morrer, nem que não fosse de verdade.
Queria me esquecer do mundo e me lembrar um pouco de mim,
Do menino que fui e do homem que sou.
Queria me perder em meio a mim mesmo.
Uma confissão indecente.
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Por Raphaël Crone.
Um Medo.
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[ Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas./ E me encantei. ] * [ Manoel de Barros ]
[ Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora,/ pois tudo passa a acontecer dentro de nós. ] * [ Clarice Lispector ]
[ Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos,/ não tanto por virtude, mas por cálculo./ Controlar essa loucura razoável:/ se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios/ porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura./ O jeito é se virar em casa mesmo,/ sem testemunhas estranhas./ Sem despesas. ] * [ Lygia Fagundes Telles ]
No meio das coisas miúdas me encantei.
No meio da inexistencialidade do que é belo e do que é terno.
Julgava que o beijo que lhe dei fosse o princípio da eternidade
E embora ainda me beije hoje, tenho medo por vezes.
Embora você segure a minha mão, tenho ciúmes.
Embora me prometa amor e referida eternidade, não me satisfaço.
Preciso de bebida forte e de sobriedade.
Preciso ajuntar minhas coisas miúdas, minhas partes de mim
Que eu mesmo lancei ao vento e que outros despedaçaram.
Preciso me inebriar com a taça de um vinho que não conheço.`
Preciso amar-me e perdoar-me, preciso de misericórdia.
Preciso de indulgência e salvação.
Tenho medo por muito amar, por que ninguém nunca muito me amou.
Tenho medo de beijar-lhe com os lábios da alma, por que ninguém nunca me concedeu mais que um beijo de carne.
Tenho medo de julgar-me afortunado, porque a fortuna não é para todos os que a querem ter.
Naquela noite eu beijei-lhe com lábios e lágrimas.
Eu beijei-lhe olhos, orelhas, face e coração.
Eu beijei-lhe com a comoção que me tomava,
Com o êxtase apático e recatado de minhas sensações.
Tenho medo de ser homem, neste momento, acredite.
Eu, que de tão valente, matei leões imaginários e medusas.
Tenho medo de ser homem agora, queria ser menino.
Deitar-me sobre a cama e não imaginar mais que uma bola e um livro no dia seguinte.
Desejava não saber que o mundo é mais que um livro e uma bola.
Ao mesmo tempo, amo-lhe. Este talvez seja o problema:
Amo-lhe tanto que tenho medo de tanto amar.
Tenho medo de amar sozinho ou amar demais.
Tenho o medo de quem já não é mais menino. Ele dói. Machuca.
Ele me assalta no meio da noite, ele me ameaça.
Seja ele real ou inventado, temido por não existir,
Mas por ser possibilidade, que de tão palpável, toma forma e corpo.
Toma voz própria e ameça, como o silvo da serpente.
Queria dormir como menino e temer somente o vento da noite.
Mas tenho medo de homem. Uma virtude que eu nunca desejei.
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Por Raphaël Crone.
[ Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas./ E me encantei. ] * [ Manoel de Barros ]
[ Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora,/ pois tudo passa a acontecer dentro de nós. ] * [ Clarice Lispector ]
[ Solução melhor é não enlouquecer mais do que já enlouquecemos,/ não tanto por virtude, mas por cálculo./ Controlar essa loucura razoável:/ se formos razoavelmente loucos não precisaremos desses sanatórios/ porque é sabido que os saudáveis não entendem muito de loucura./ O jeito é se virar em casa mesmo,/ sem testemunhas estranhas./ Sem despesas. ] * [ Lygia Fagundes Telles ]
No meio das coisas miúdas me encantei.
No meio da inexistencialidade do que é belo e do que é terno.
Julgava que o beijo que lhe dei fosse o princípio da eternidade
E embora ainda me beije hoje, tenho medo por vezes.
Embora você segure a minha mão, tenho ciúmes.
Embora me prometa amor e referida eternidade, não me satisfaço.
Preciso de bebida forte e de sobriedade.
Preciso ajuntar minhas coisas miúdas, minhas partes de mim
Que eu mesmo lancei ao vento e que outros despedaçaram.
Preciso me inebriar com a taça de um vinho que não conheço.`
Preciso amar-me e perdoar-me, preciso de misericórdia.
Preciso de indulgência e salvação.
Tenho medo por muito amar, por que ninguém nunca muito me amou.
Tenho medo de beijar-lhe com os lábios da alma, por que ninguém nunca me concedeu mais que um beijo de carne.
Tenho medo de julgar-me afortunado, porque a fortuna não é para todos os que a querem ter.
Naquela noite eu beijei-lhe com lábios e lágrimas.
Eu beijei-lhe olhos, orelhas, face e coração.
Eu beijei-lhe com a comoção que me tomava,
Com o êxtase apático e recatado de minhas sensações.
Tenho medo de ser homem, neste momento, acredite.
Eu, que de tão valente, matei leões imaginários e medusas.
Tenho medo de ser homem agora, queria ser menino.
Deitar-me sobre a cama e não imaginar mais que uma bola e um livro no dia seguinte.
Desejava não saber que o mundo é mais que um livro e uma bola.
Ao mesmo tempo, amo-lhe. Este talvez seja o problema:
Amo-lhe tanto que tenho medo de tanto amar.
Tenho medo de amar sozinho ou amar demais.
Tenho o medo de quem já não é mais menino. Ele dói. Machuca.
Ele me assalta no meio da noite, ele me ameaça.
Seja ele real ou inventado, temido por não existir,
Mas por ser possibilidade, que de tão palpável, toma forma e corpo.
Toma voz própria e ameça, como o silvo da serpente.
Queria dormir como menino e temer somente o vento da noite.
Mas tenho medo de homem. Uma virtude que eu nunca desejei.
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Por Raphaël Crone.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Alguém Me Disse.
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[ On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,/ Elles passent en un instant comme fanent les roses./ On me dit que le temps qui glisse est un salaud/ Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ?/ On dit que le destin se moque bien de nous/ Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout./ Parait qu'le bonheur est à portée de main,/ Alors on tend la main et on se retrouve fou./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ?/ Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?/ Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,/ J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits/ "Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit."/ Tu vois quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ Me l'a t'on vraiment dit/ Que tu m'aimais encore,/ Serais ce possible alors ?/ On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,/ Elles passent en un instant comme fanent les roses./ On me dit que le temps qui glisse est un salaud,/ Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ? ] * [ Carla Bruni ]
A possibilidade de você me amar. Seria possível, então?
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Por Raphaël Crone.
[ On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,/ Elles passent en un instant comme fanent les roses./ On me dit que le temps qui glisse est un salaud/ Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ?/ On dit que le destin se moque bien de nous/ Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout./ Parait qu'le bonheur est à portée de main,/ Alors on tend la main et on se retrouve fou./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ?/ Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?/ Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,/ J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits/ "Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit."/ Tu vois quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ Me l'a t'on vraiment dit/ Que tu m'aimais encore,/ Serais ce possible alors ?/ On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,/ Elles passent en un instant comme fanent les roses./ On me dit que le temps qui glisse est un salaud,/ Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux./ Pourtant quelqu'un m'a dit/ Que tu m'aimais encore,/ C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore./ Serais ce possible alors ? ] * [ Carla Bruni ]
A possibilidade de você me amar. Seria possível, então?
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Por Raphaël Crone.
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